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meu isso, meu aquilo,desde a cabeça até o bico dos sapatos,são mensagens,letras falantes,gritos visuais,ordem de uso, abuso, reincidência,costume, hábito, premência,indispensabilidade,e fazem de mim homem-anúncio intinerante,escravo da matéria anunciada.Estou, estou na moda.É doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade,trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas,todos os logotipos de mercado.
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Agora sou anúncio,ora vulgar, ora bizarro,em língua nacional ou em qualquer língua(qualquer, principalmente).E nisto me comprazo, tiro glória de minha anulação.Não sou - vê lá - anúncio contratado.Eu é que mimosamente pago para anunciar, para venderem bares festas praias pérgulas piscinas,e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desistede ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente,que moda ou suborno algum compromete.
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Hoje sou costurado, sou tecido,sou gravado de forma universal,saio de estamparia, não de casa,da vitrine me tiram, me recolocam,objeto pulsante mas objeto que se oferece como signo dos outros objetos estáticos, tarifados.Por me ostentar assim, tão orgulhosode ser não eu, mas artigo industrial,peço que meu nome retifiquem.Já não me convém o título de homem,meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
Drummond de AndradeAchei estupendo esses trechos da poesia de Drummont, sutilmente e com singelas ironias ele conseguiu descrever transcrevendo claramente o que vem a ser moda, ou melhor o que venha a ser tendência e etiqueta.
Hoje somos robotizados e influenciados por uma mídia visual que indiretamente nos impõe paradigmas, que para ser tem que usar ou ousar.
A forma de opinião se torna ambigua perante as idéias particulares tornando-se mais interassante "
sair de estamparia,não de casa", a globalização criou regras e impos parametros "
oferecendo signos dos outros, objetos estáticos,tarifados", compramos o que vemos nao o que necessitamos, uma verdadeira monopolização de idéias "
em lingua nacional, ou eum qualquer língua".
Sendo assim uma identidade de mercado é criada, fugindo do convencional pessoal "
ainda que a moda seja negar minha identidade, troca-la por mil açambarcando todas as marcas registradas,todos os logotipos de mercado"; é o captalismo claramente entre as entrelinhas aguçando no consumidor que para ser tem que ter, dando todo o estimulo "burgês" alimentando o mercado - "
meu isso meu aquilo,desde a cabeça ate o bico do sapato".
"são mensagens, letras falantes,gritos visuais,ordem de uso,abuso,reincidencia,costume,hábito,premenecia,indispensibilidade e fazem de mim homem-anuncio itinerante,escravo da matéria anunciada".
Manuela Gushiken Paulozzi